31 de outubro de 2020

RACING BRASIL

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O caos de Mugello

Foi uma corrida cheia de incidentes, com safety car, bandeiras vermelha e três “largadas”. Para o seleto  público que estava presente, depois de tantas provas com portões fechados, e para os telespectadores que assistiram de suas casas, o GP da Toscana foi um êxtase, recheado de emoções. 

Felizmente, todos os pilotos saíram ilesos dos acidentes, principalmente o da relargada que poderia ter graves consequências, não fosse o halo e o alto nível de segurança que os carros possuem. 

Mas, algumas perguntas ficaram no ar! Houve algum culpado? O safety car apagou as luzes muito tarde? Bottas teve alguma culpa ou influência? 

SAFETY CAR 

Por se tratar de uma pista antiga e diferente das quais os pilotos estão acostumados, o ponto no qual o safety car deveria apagar as luzes, indicando o momento para relargada, ficava muito próximo da reta de largada. Este assunto foi debatido no briefing entre pilotos e direção de prova, portanto, todos estavam cientes dos cuidados que deveriam tomar. 

Logo, concluímos que o safety car não cometeu nenhum erro e apagou as luzes no momento correto, como foi explicado no briefing.

VALTERI BOTTAS 

Depois de avaliarem todas as imagens, os comissários da FIA isentaram Valteri Bottas de qualquer responsabilidade sobre o incidente durante a relargada no GP da Toscana e advertiram doze pilotos: Albon, Giovinazzi, Kvyat, Latifi, Magnussen, Norris, Ocon, Perez, Ricciardo, Russell, Sainz e Stroll. 

Quando o safety car está na pista e apaga as luzes, sinalizando que entrará nos boxes para que os carros possam relargar, cabe ao líder, no caso Bottas, ditar o ritmo e escolher o melhor momento para acelerar. Foi o que o piloto da Mercedes fez, porém a atitude de acelerar e logo em seguida diminuir bruscamente a velocidade para, depois, acelerar novamente, confundiu os pilotos que estavam no pelotão de trás. 

Outro ponto questionável foi a atitude de ficar “ziguezagueando” na reta, como se estivesse aquecendo os pneus, a poucos metros da linha de largada/chegada. Foi neste momento, antes do líder acelerar definitivamente, que os carros se aproximaram uns dos outros e quem vinha atrás acelerando, não percebendo as atitudes (acelerar, frear e acelerar) de Bottas, não tiveram tempo para reagir causando o incidente. 

MAS, POR QUAL MOTIVO BOTTAS ACELEROU TÃO TARDE? 

Quando Bottas se preparava para a relargada percebeu que não conseguiria manter uma distância segura para que ele pudesse manter a liderança. As condições da pista de Mugello permitiram que Hamilton, o segundo colocado, ficasse muito próximo de Bottas à poucos metros da linha de largada/chegada. 

Logo Bottas precisava pensar rápido e tomar uma atitude que o fizesse relargar de modo que mantivesse a primeira posição. Então acelerou e freou bruscamente, começou a “dançar” na pista, tentando, de alguma forma, confundir quem vinha atrás e, no último momento, acelerou. 

Bottas fez o que precisava, dentro do que o regulamento permite. Isto é inquestionável! 

Mas enfim… o incidente da relargada poderia ter sido evitado? Talvez! 

Se Bottas seguisse lento até o último momento, para então acelerar e relargar, muito possivelmente o acidente poderia ter sido evitado. O ato de frear bruscamente na reta pode ter sido o real motivo que levou os pilotos, que vinham no segundo pelotão, a se envolverem no acidente. O tempo de reação para quem vem atrás é muito menor, afinal eles não sabem, exatamente, o que os pilotos que seguem a frente estão fazendo e, em um momento como este, acelerar é a atitude mais coerente! 

Nas câmeras ON BOARD podemos ver, claramente, que Sainz percebe os carros à sua frente freando e desviando uns dos outros ,mas para ele e para quem vinha atras já era tarde demais para reagir. 

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